REGULAÇÃO DA MIDIA,JÁ!

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PARA ACABAR COM O MONOPÓLIO

segunda-feira, 18 de maio de 2015

APÓS ALUNA DO CIÊNCIA SEM FRONTEIRAS DESMASCARAR A GLOBO, EMISSORA PEDE DESCULPAS

FraudeGloboAmanda
A matéria publicada pelo Portal Fórum mostra como a Rede Globo manipula as informações através da edição das entrevistas. 

Confira abaixo:
A estudante de Medicina Amanda Oliveira mostrou indignação ao ver a reportagem divulgada pela TV Globo, nesta semana, sobre o programa Ciência sem Fronteiras. Na matéria, ela foi apresentada como um dos alunos que decidiram voltar ao Brasil por problemas na liberação de verbas por parte do governo federal.
Em seu perfil no Facebook, Amanda, que passou nove meses nos Estados Unidos custeada pelo programa – fez questão de desmentir as informações, que julgou terem sido deturpadas pelo “sensacionalismo” da emissora.
“Gostaria de dizer que tudo o que foi dito a meu respeito naquela reportagem é MENTIRA! Primeiramente, eu NÃO voltei para o Brasil pela insegurança gerada pela falta do dinheiro. Até porque essa foi a ÚNICA parcela da bolsa que não caiu durante todo o meu intercâmbio. Eu voltei pelo simples motivo que minhas aulas na UFT começariam agora”, explicou.

Leia o relato de Amanda Oliveira na íntegra:
Na manhã de ontem passou na globo uma reportagem sobre o Ciência sem Fronteiras onde eu apareço. Gostaria de dizer que tudo o que foi dito á meu respeito naquela reportagem é MENTIRA!
Primeiramente, eu NÃO voltei para o Brasil pela insegurança gerada pela falta do dinheiro. Até porque essa foi a ÚNICA parcela da bolsa que não caiu durante todo o meu intercâmbio. Eu voltei pelo simples motivo que minhas aulas na UFT começariam agora e eu julguei não valer a pena perder outro semestre ( e isso foi dito INÚMERAS VEZES na minha entrevista. Mas a Globo achou mais interessante omitir isso e inventar um motivo mais atraente).
Segundo, eu NÃO abandonei o programa. A repórter da Globo fez o favor de enfatizar que voltar antes do prazo era quebra de contrato e que nesses casos todo o dinheiro deveria ser devolvido pela capes. Mas a Globo além de sensacionalista ainda não é capaz de pesquisar as coisas direito antes de falar. Eu não voltei antes do prazo. Eu tinha a opção de retornar em maio e a opção de retornar em agosto. Eu optei pela primeira.
Por favor, se vc viu a reportagem ou tem algum parente que viu e comentou com você mostre pra ela esse post.
A minha experiência com o Ciência sem fronteiras não poderia ter sido melhor. Teve esse pequeno problema no final, claro, mas nada que justifique o programa ser mal falado dessa maneira.
Amanda002
do Brasil 29

CHINA: POR QUE INVESTIR TANTO NO BRASIL ? COXINHAS, JÁ SABEM O QUE FAZER NÉ?



Da BBC:

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e uma missão de empresários de seu país desembarcam nesta segunda-feira em Brasília com a promessa de investir dezenas de bilhões de dólares em diversos setores da economia – de ferrovias a hidrelétricas, passando por autopeças, agronegócios, mineração, siderurgia e TI (tecnologia da informação).

O momento é visto como especialmente favorável a esses investimentos.

De um lado, o governo tem sido obrigado a cortar gastos em infraestrutura devido às restrições orçamentárias.

De outro, os setores de construção e óleo e gás passam por um cenário difícil por causa da Operação Lava Jato, que investiga esquemas de corrupção envolvendo Petrobras, grandes obras públicas e empreiteiras nacionais.

O contexto complicado acaba sendo uma oportunidade para o capital chinês, nota Maria Luisa Cravo, gerente Executiva de Investimentos da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

“Com certeza, cria uma oportunidade. Empresas estrangeiras, quando estão avaliando um país para investir, levam em conta todo tipo de fator. Certamente, empresas de óleo e gás que não estavam atuando no Brasil, não eram fornecedores da Petrobras, têm interesse e sabem que há uma oportunidade (agora)”.

Segundo Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil China (CCIBC), um estaleiro chinês ganhou neste ano parte da concorrência internacional aberta pela Petrobras para construção de módulos de compressão, cujo contrato original de US$ 750 milhões foi cancelado com a brasileira Iesa, após citações na Lava Jato. O grupo Inepar, ao qual pertence a Iesa, está em recuperação judicial.

“Como se sabe, os grandes projetos de infraestrutura e de petróleo e gás sempre foram dominados por grandes empreiteiras brasileiras que ora têm dificuldade de concluir as suas obras. Nossa Câmara têm se esforçado para trazer investimentos de grandes empresas chinesas para ajudar a recuperar a economia do Brasil e manter empregos brasileiros”, afirma.

“O empréstimo de US$ 3,5 bilhões (R$ 10,5 bilhões) feito recentemente à Petrobras demonstra a confiança que a China deposita no Brasil e demonstra a importância que a China dá a essa aliança estratégica e comercial. Um amigo em hora de necessidade é um amigo verdadeiro”, acrescenta Tang.

O financiamento, obtido junto ao Banco de Desenvolvimento Chinês no início de abril, chega em um momento que a Petrobras está com o endividamento elevado e enfrenta dificuldade de obter recursos emitindo títulos e ações.

Li Keqiang reúne-se com a presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira de manhã e no dia seguinte cumpre agenda no Rio e Janeiro, antes de seguir viagem para Colômbia, Peru e Chile.

A China vem ampliando sua presença na região e tem laços próximos também com Venezuela e Argentina.


Durante a passagem da comitiva chinesa pelo Brasil serão assinados mais de 30 documentos, entre acordos governamentais, empresariais e outros atos, sinalizando intenções novas de investimentos de US$ 50 bilhões (R$ 150 bilhões), segundo o embaixador José Alfredo Graça Lima, atualmente à frente da Subsecretaria-Geral de Assuntos Políticos 2, área responsável pelas relações políticas e econômicas do Brasil com a Ásia.

(…)

Como maior parceiro comercial do país, a China já tem hoje peso importante na economia brasileira. Para Graça Lima, o crescente interesse chinês em investir aqui traz o relacionamento dos dois países a um novo patamar.

“A visita do primeiro-ministro Li Keqiang segue um histórico de visitas de alto nível que se iniciaram em 2004 e que vêm contribuindo para adensar a relações bilaterias entre Brasil e China. E (essas relações) estão tomando outro vulto, ou subindo de patamar, na forma de uma cooperação mais voltada para investimentos, tanto em infraestrutura, como em capacidade produtiva, que são duas áreas de especial interesse para o Brasil de hoje”, disse Graça Lima, em apresentação a jornalistas na semana passada.

Se tudo que está sendo anunciado vai sair do papel é outra história.

Segundo o embaixador, são projetos que estão em diferentes estágios de negociação e planejamento. Um dos mais importantes para os dois países é a construção de uma ferrovia transoceânica, que cortará Brasil e Peru, facilitando o escoamento de grãos e outros produtos da região Centro-Oeste para o Oceano Pacífico.

Segundo o diretor executivo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Bruno Batista, é justamente essa preocupação com escoamento de produtos brasileiros para a China, “questão de segurança alimentar”, que tem elevado a disposição do país em investir na logística brasileira.

Até hoje, observa Batista, a presença do capital chinês na infraestrutura de transportes do Brasil é pequena, mas a expectativa é que isso mude nos próximos anos.

(…)

Em entrevista à imprensa chinesa na semana passada, Dilma sinalizou que o interesse brasileiro nessa parceria também é grande.

“O Brasil passa por um momento em que todo o conhecimento e a expertise da China na área de investimento em infraestrutura nós podemos aproveitar, tanto na área de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos”, disse ela ao China Business News, ressaltando que a participação chinesa em ferrovias vai ser “essencial” para o Brasil.

Monitoramento da Apex indica que, entre 2004 e 2014, a China investiu US$ 50 bilhões no Brasil. Maria Luisa Cravo explica que antes esses investimentos eram mais concentrados em fábricas e que agora o escopo está se ampliando para obras de infraestrutura, que são mais caras.

(…)

Mas o que estaria por trás do apetite bilionário chinês pelo Brasil?

Certamente, é de interesse do país melhorar a logística das nossas exportação, reduzindo os custos de produtos comprados em grande quantidade pela China, como soja e minério de ferro.


(…)

Questionado sobre se haveria também uma estratégia geopolítica da China no sentido de ampliar sua influência na América do Sul, o embaixador Graça Lima descartou a existência de “uma agenda secreta” e minimizou uma possível perda de protagonismo do Brasil na região.

“Interessa ao Brasil que seus 11 vizinhos progridam, que tenham uma grau de desenvolvimento que sirva para mais estabilidade, mais paz, mais segurança (na região). Nesse ponto, a China é vista como uma parceiro bem vindo”, argumentou.

Para Charles Tang, porém, há sim uma intenção geopolítica, na medida em que a China busca a se contrapor aos Estados Unidos como potência global.

Esse é o entendimento também de Renato Baumann, diretor da área de Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada). “A China quer expandir sua áreas de influência e tornar o yuan uma moeda de referência global”, afirma ele. 

do Plantão Brasil

segunda-feira, 11 de maio de 2015

"Se Brasil abrir pré-sal para estrangeiras, adeus royalties para educação e saúde"

Para diretor de relações internacionais da Federação Única dos Petroleiros, é só na mão da Petrobras que o desenvolvimento, segurança ambiental e  energética serão garantidos.
09/05/2015

Por Conceição Lemes
Do Viomundo
Em entrevista no último domingo, 2 de maio, o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB-AM), durante entrevista realizada antes da Offshore Technology Conference, em Houston, nos Estados Unidos, deixou abertas duas portas perigosas. 

Acenou com mudanças no marco regulatório do pré-sal e abrandamento da norma de conteúdo local, que determina à Petrobras a compra preferencial de equipamentos e serviços de origem nacional.
Verdadeira sinfonia para os ouvidos das grandes petroleiras estrangeiras, como Shell, ExxonMobil, Chevron, BP e Total.


Até agora, Eduardo Braga não desmentiu a entrevista, que saiu em vários veículos da mídia brasileira.
Para João Antônio de Moraes, diretor de relações internacionais da Federação Única dos Petroleiros (FUP), é muito grave a declaração de Braga nos EUA.
“Onde já se viu abordar uma questão estratégica para o Brasil, fora do Brasil, num lugar onde a disputa pelo petróleo é gigantesca?”, critica. 

“Se já está havendo pressão sobre o Congresso Nacional para flexibilizar a partilha, com essa declaração absurda, a tendência é que a pressão só aumente.”
Nota da FUP (na íntegra, abaixo) publicada nessa quinta-feira (7) lembra: “Só o PSDB já tem três projetos em andamento no Congresso para alterar o modelo de partilha e retirar da estatal o papel de operadora única”.
Têm projetos para abrir o pré-sal às petroleiras internacionais os senadores tucanos José Serra, Aloysio Nunes e o deputado federal Jutahy Júnior. O deputado federal Leonardo Picciani (PMDB-RJ) também projeto nessa linha.


Moraes adverte: “Flexibilizar a partilha, não garantir a Petrobras como operadora única do pré-sal e abrandar a exigência de conteúdo local, como prega o ministro, significam abrir as portas para o Brasil ser saqueado novamente nos seus recursos naturais por interesses externos como já aconteceu ao longo da história, com o pau-brasil, o ouro, por exemplo”.
Ele enfatiza: “A operação só nas mãos da Petrobras nos garante desenvolvimento, segurança ambiental e segurança energética. Essas três coisas ficariam fragilizadas se empresas estrangeiras entrarem na operação”.
Ele denuncia: “Se o Brasil abrir a operação para as petroleiras estrangeiras, podemos dizer adeus aos royalties do petróleo para Educação e Saúde. No mundo inteiro, a história das petroleiras é uma história de não cumprimento da destinação social das riquezas”.
Segue a íntegra da nossa entrevista.
Viomundo — O que achou da declaração do ministro Eduardo Braga nos EUA?
João Moraes – Muito grave. Onde já se viu abordar uma questão estratégica para o Brasil, fora do Brasil, num país onde a disputa pelo petróleo é gigantesca? Se já está havendo pressão sobre o Congresso Nacional para flexibilizar a partilha, com essa declaração absurda, a tendência é que a pressão só aumente. Lembre-se de que há no Congresso vários projetos de tucanos que visam justamente flexibilizar o modelo de partilha no pré-sal.
Viomundo – O que acontece se o Brasil alterar o modelo?
João Moraes — Flexibilizar a partilha, não garantir a Petrobras como operadora única do pré-sal e abrandar a exigência de conteúdo local significam abrir as portas do Brasil para que seja saqueado novamente nos seus recursos naturais por interesses externos, como já foi ao longo da história, com o pau-brasil, o ouro, por exemplo.
Definitivamente, se o povo brasileiro não garantir esses três sustentáculos do modelo brasileiro, o ciclo econômico do petróleo vai repetir o que já aconteceu em outros ciclos econômicos. Vai embora o recurso natural, não fica o desenvolvimento aqui. Então, nós temos de realmente nos mobilizar para impedir que iniciativas para alterar o modelo de partilha  tenham sucesso.
Viomundo –  Em que setor do pré-sal as petroleiras internacionais podem atuar?
João Moraes – O modelo de partilha permite que elas invistam junto com a Petrobras. Foi o que aconteceu no campo de Libra, na Bacia de Campos, Rio de Janeiro. Em Libra, a Petrobras ficou com 40% dos investimentos,  os europeus (Total e Elf), também com 40%, e os chineses com 20%.
Na verdade, o modelo de partilha só não permite atuar na operação. A declaração do ministro toca justamente nesse ponto. A declaração dele e os projetos dos tucanos no Congresso Nacional vão todos no mesmo sentido: o de abrir a operação do pré-sal para as petroleiras estrangeiras. Em resumo, é isso que eles e elas querem.
Viomundo – Qual o mérito da partilha?
João Moraes – As empresas estrangeiras podem investir junto com a Petrobras, mas quem vai operar é a Petrobras.
Viomundo — O que significa operar?
João Moraes – É a Petrobras que vai pegar esses investimentos, comprar os equipamentos, desenvolver os projetos e o mais importante –  depois vai controlar a produção de petróleo. A Petrobras é que vai dizer se vai vai produzir 100 mil, 200 mil, 300 mil barris.
Viomundo — Com isso o que o Brasil tem a lucrar?
João Moraes – Primeiro, a garantia do conteúdo local, porque as empresas estrangerias não estão cumprindo o conteúdo local nas áreas em que atuam.
Viomundo – Não estão cumprindo?!
João Moraes – Não. Elas encontram um monte de subterfúgios para não comprar aqui.  A Shell, por exemplo, é a segunda produtora no Brasil. Ela tem ativos importantes nas áreas já licitadas do pré-sal. Mas a Shell não tem nenhuma plataforma encomendada aos estaleiros brasileiros.
Se flexibilizar o pré-sal vai acontecer o que já acontece com áreas licitadas antes da lei da partilha.As petroleiras estrangeiras não cumprem o conteúdo local. Não cumprindo o conteúdo local, elas não geram emprego aqui, não geram renda aqui, não geram desenvolvimento aqui. Essa é uma etapa importante do ponto de vista do desenvolvimento.
Viomundo – O que Brasil tem a ganhar mais com o modelo de partilha?
João Moraes — Soberania energética e meio ambiente. Por que aconteceu aquele acidente importante da Chevron, no Campo de Frade, em 2012? Por que a Chevron avançou na produção além do que podia e dos equipamentos que detinha. Isso causou uma fratura no subsolo do oceano, provocando dano ambiental muito grande.
Viomundo – Mas a Petrobras não está livre de produzir danos ambientais.
João Moraes – Não está. Nenhuma petroleira está livre disso. Mas os mecanismos de pressão do povo brasileiro sobre a Petrobras são muito maiores do que sobre as petroleiras estrangeiras.  Então, a Petrobras como operadora única nos dá uma garantia ambiental muito maior do que as estrangeiras.
Viomundo – O que mais o Brasil tem a lucrar mais com a partilha?
João Moraes – Impedir a produção predatória. Qual é o grande dilema que a Argentina vive hoje em dia? A Argentina privatizou a YPF. A  maior empresa que assumiu foi a Repsol espanhola. A Repsol começou a ter produção predatória , não investiu em desenvolvimento de novas reservas nem em novas tecnologias.  Resultado: hoje  a Argentina é dependente da  importação de petróleo e gás.
Viomundo — Por quê?
João Moraes — Justamente porque não era uma empresa estatal nacional que detinha a operação. Então esse é outro aspecto muito negativo dos projetos dos tucanos que estão no Congresso e buscam garantir a entrada de estrangeiras na operação.
A operação só nas mãos da Petrobras nos garante desenvolvimento, segurança ambiental e segurança energética. Essas três coisas ficariam fragilizadas se empresas estrangeiras entrarem na operação.
Viomundo – Pela lei da partilha foi criado um fundo social – o Fundo Social Soberano – que prevê a destinação dos royalties para Educação e Saúde. As petroleiras estrangeiras fariam isso?
João Moraes – De jeito nenhum. A história das petroleiras no mundo é uma história de não cumprimento da destinação social das riquezas. Então, essa batalha importante que tivemos para garantir os royalties para Educação e Saúde vai  para o espaço se a operação do pré-sal for aberta para as empresas estrangeiras. Portanto, é muito ruim se acontecer isso que o ministro Eduardo Braga disse.
Viomundo – Nos últimos meses, estamos assistindo ao acirramento na disputa do petróleo brasileiro. Teria a ver com as denúncias da Lava Jato?
João Moraes – Tudo isso é fruto da campanha de desmoralização da Petrobras desenvolvida pela grande imprensa nos últimos meses. Não tem a ver com corrupção. É uma campanha antinacional. É uma campanha antipatriótica como se as nossas grandes redes de comunicação fossem de outros países e estivessem fazendo aqui uma campanha de interesse delas.
Portanto, é um absurdo sem tamanho, nessa conjuntura, um ministro de Estado ir lá fora e dar uma declaração tenebrosa como a que deu.
Mesmo que o governo tivesse a intenção, o ministro não poderia fazer essa declaração. Porque ao fazê-lo, se um dia isso vier acontecer,  a Petrobras vai estar com o preço rebaixado.
Olhando pela lógica do capital, mesmo que fosse uma decisão de governo fazer isso – o que eu não acredito que seja –, ele não poderia declarar isso no exterior. Realmente um despreparo, um absurdo.  É um negócio descabido.
Viomundo – A FUP pretende fazer algo em relação a isso?
João Moraes — A direção da FUP está reunida, aqui, em Curitiba, nesta quinta e sexta em Curitiba, onde vamos discutir o assunto. Nós trouxemos a nossa reunião mensal para cá como forma de darmos a nossa solidariedade.  Na quarta-feira, inclusive, participamos de atos de solidariedade aos professores.
Mas, desde já, a sociedade tem de estar ciente. Se houver flexibilização no modelo de partilha do pré-sal, o povo brasileiro pode dizer adeus ao Fundo Social e ao uso dos seus recursos para a Educação e Saúde. 
*
Tirem as mãos do que é nosso!
Em vez de fortalecer a Petrobrás, ministro de Minas e Energia quer flexibilizar partilha
Enquanto a Petrobrás recebia o prêmio OTC Distinguished Achievement Award for Companies, Organizations and Institutions, o maior reconhecimento de uma operadora offshore por tecnologias desenvolvidas e desafios vencidos, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, pregava publicamente a redução da participação da estatal na exploração do pré-sal.
Em entrevista coletiva aos jornalistas que cobriam o evento em Houston (EUA), o ministro do PMDB não mediu palavras e anunciou que o Congresso (onde seu partido comanda a Câmara e o Senado) está aberto a alterar o modelo de partilha.
“O que se discute é a obrigatoriedade da operação. Defendo que a Petrobrás tenha direito à recusa”, declarou, alegando que a empresa não tem condições hoje de “alavancar os investimentos que a economia brasileira necessita”.
Na mesma linha foi a diretora geral da ANP, Magda Chambriard, que também participou da feira de petróleo em Houston e defendeu “uma flexibilização muito bem calibrada” da lei do pré-sal, com vistas aos leilões futuros.
Declarações deste tipo reforçam e alimentam os ataques da oposição contra a Petrobrás. Só o PSDB já tem três projetos em andamento no Congresso para alterar o modelo de partilha e retirar da estatal o papel de operadora única.
A defesa intransigente da soberania é um compromisso que deve ser honrado por um governo eleito pelos trabalhadores. 

A hora é de fortalecer a Petrobrás para que siga avançando na exploração do pré-sal, cuja riqueza deve ser servir ao povo brasileiro e não às multinacionais.

do Brasil de Fato

Tropas chinesas na Praça Vermelha

Acabaram os conflitos que levaram a alinhamentos radicalmente opostos entre russos e chineses na política mundial durante um certo tempo; países voltam a ser aliados estratégicos fundamentais

por Emir Sader, para a RBA publicado 10/05/2015 15:37
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As comemorações dos 70 anos do triunfo da URSS sobre o nazismo foram a oportunidade de uma demonstração do poderio militar atual da Rússia, assim como de uma presença com forte apelo simbólico: um desfile de tropas do Exercito chinês na Praça Vermelha.
    
Depois de tantas circunstâncias, a China e a Rússia  voltam a ser aliados estratégicos fundamentais. Os dois mudaram bastante. 

A Rússia ocupa o lugar da URSS, a China atual é muito diferente daquela do Mao.  Mas o principal é que os conflitos que levaram a alinhamentos radicalmente opostos na política mundial durante um certo tempo terminaram.

Inicialmente aliados, assim que a Revolução Chinesa triunfou, em 1949, diferenças e conflitos foram surgindo, até que a eclosão da Revolução Cultural na China levou a diferenças exacerbadas entre os dois países. 





A China, a partir das críticas ao que considerava um caminho de restauração capitalista na URSS, caminhou para a caracterização desse país como imperialista, rapidamente como o imperialismo ascendente, o que a levou a aliar-se aos EUA, que considerava o imperialismo decadente, para conter o que chamava de “imperialismo soviético”.

Decorreu daí a chamada diplomacia do pingue-pongue, com a surpreendente aproximação e aliança da China com os EUA, e posições ainda mais surpreendentes sobre processos que ela considerava como de expansionismo soviético, que haveria que deter. 

Assim, a China apoiou o golpe de Pinochet, no Chile, assim como o regime do apartheid na Africa do Sul, situações que ela considerava como expressões de luta contra a URSS.

As duas maiores potências do campo socialista não apenas se dissociavam, como se opunham frontalmente.

Desaparecia o campo comum de luta contra o imperialismo norte-americano, que passou a ser considerado um aliado pela China, contra a URSS.

O desaparecimento da URSS e sua reaparição como potência sob Putin e a passagem radical da China da Revolução Cultura do Mao à do desenvolvimento econômico espetacular de Deng-Ziao-Ping, mudou os cenários e as relações entre eles. 

Acordos fundamentais nos planos econômico, energético, financeiro, comercial e militar foram estabelecidos recentemente entre os dois países, com o correspondente distanciamento em relação aos EUA.

No marco da nova guerra fria, configurado especialmente a partir dos conflitos da Rússia com os EUA e a Europa em torno da Ucrânia, o alinhamento chinês é claro. Ao mesmo tempo que os Brics surgem como campo comum de construção de instâncias para um mundo multipolar no plano econômico. 

Ambos os países desenvolveram uma enorme quantidade de acordos bilaterais com países da América Latina, por exemplo, em um quadro inédito de influência e presença dos dois países no nosso continente.

É nesse cenário que a presença de tropas chinesas na histórica Praça Vermelha ganha um enorme significado, tanto pela superação dos conflitos no passado, quanto pelas novas formas de aliança entre duas potências que mudaram desde então, mas que agora reaparecem como aliados fundamentais no plano internacional.

da Rede Brasil Atual

As pessoas assistem aos telejornais e, quando entram na internet, encontram informações bem diferentes

Os leitores na fase do autismo informativo

Por Carlos Castilho

O leitor está a cada dia mais distante do jornal e vice-versa. É uma relação que enfrenta a sua pior crise desde o surgimento da indústria dos jornais, há quase dois séculos. 

O sintoma mais evidente desta situação é o fato de que cada lado está se voltando cada vez mais para dentro de si próprio, dando origem a uma espécie de autismo informativo.
O distanciamento não é visível nas pesquisas de opinião porque elas são patrocinadas e organizadas por uma das partes envolvidas na relação. Mas se mostra claro nas conversas e atitudes das pessoas comuns, longe dos microfones e dos repórteres, quando fica nítida a diversidade de agendas e de preocupações.
Os leitores enfrentam dificuldades crescentes para entender o que está acontecendo porque não conseguem dar conta de toda a complexidade dos fatos e fenômenos que afetam o seu quotidiano. 
As pessoas leem uma coisa nos jornais e revistas ou assistem aos telejornais e, quando entram na internet, encontram informações bem diferentes. Sentem falta de alguém que explique tudo, e diante da ausência de curadores de informações acabam se refugiando no seu grupo de amigos, do trabalho ou do bairro.
Os jornais, revistas, telejornais ou noticiários radiofônicos por seu lado se transformaram em intermediários ou mensageiros entre os tomadores de decisões, como políticos, empresários, diplomatas e funcionários públicos. 
A cobertura da imprensa é cada vez mais uma conversa entre os diferentes grupos de pressão interessados no controle do governo e dos negócios com dinheiro publico.
Aqui também os fatos, eventos e processos são cada vez mais complexos pelo aumento da diversidade de percepções e dados sobre os temas da agenda dos tomadores de decisões. 
O resultado combinado do crescente divórcio entre público e imprensa é uma progressiva alienação de ambas as partes em relação à realidade. 
Os leitores deixam de se preocupar com o que ocorre em Brasília ou Washington porque não conseguem captar os significados de ações e decisões dos centros de poder. 
E a imprensa deixa de dar a devida atenção ao que ocorre no íntimo dos leitores, ouvintes e telespectadores porque está preocupada demais com a briga pelo poder.
A alienação da imprensa é perigosa porque ela começa a se enclausurar num mundo particular, achando que está cumprindo a sua missão de informar os cidadãos. 
O mundo dos círculos do poder em Brasília passa a orientar toda a agenda jornalística do país, onde a elite governante e as classes A e B perdem a noção do que ocorre fora da capital federal, especialmente nas cidades do interior. 
O resultado é projeção de uma imagem incompleta e enviesada da realidade nacional.
A dinâmica industrial da produção jornalística nas empresas de comunicação cria as condições necessárias para este autismo profissional. 
As redações deixam de ver a realidade como ela é para representá-lo conforme os interesses corporativos e de acordo com a ideologia predominante nos círculos do poder. Isto aconteceu tanto na fase áurea do petismo, quando a imprensa olhou para o outro lado em relação aos erros dos governos entre 2002 e 2010, como agora, quando a ela passou a demonizar a administração Dilma Rousseff.

Inseguro e indeciso diante do bombardeio de versões contraditórias entre o que lê na imprensa ou assiste nos telejornais e o que sai nas redes sociais, o leitor tende a procurar os ambientes que lhe transmitem mais tranquilidade. 
É o germe da polarização política, quando as pessoas tendem cada vez mais a aceitar apenas o que está de acordo com suas percepções e opiniões, desqualificando todos os que procuram entender a complexidade e a diversidade nas abordagens da política nacional.
Dai à xenofobia e à radicalização é um passo, que muita gente acaba dando inconscientemente. 
Só mais tarde, como aconteceu com os alemães no pós-nazismo, é que as pessoas se darão conta do que aconteceu, quando já não dá mais para evitar as consequências humanas e materiais da polarização ideológica.
A função deste Observatório da Imprensa é complicada e polêmica justamente porque procuramos não nos deixar contaminar pela polarização, radicalização e xenofobia informativas. É certo que dificilmente lograremos uma unanimidade, e que o mais provável é sermos  que sercriticados por ambas as partes envolvidas na atual batalha ideológica em curso no país.

do Observatório da Imprensa

E Moro não teve resposta para Cerveró.

Alguém tem que deter este da direita
Alguém tem que deter este da direita

Detesto a palavra “chocante”. Os sábios sempre disseram que ela é tola, porque não há nada de novo sob o sol, tudo se repete, e nada portanto deve chocar ou provocar perplexidade.

Isto posto, é um documento histórico o vídeo que está circulando na internet em que Nestor Cerveró, ex-Petrobras, se dirige ao juiz Sérgio Moro.

Por ser um tremendo dum clichê, não gosto de citar Kakfa e seu clássico Processo, em que um personagem é posto num tribunal sem ter a menor noção do que fez.
Mas é kafkiana a situação de Cerveró.

Ele, educada mas incisivamente, pergunta a Moro como pode estar preso há cinco meses sem nenhuma prova contra ele.

Cerveró lembra, mais de uma vez, que a base das acusações contra ele são uma reportagem, e logo de quem – da revista Veja.

Apenas para lembrar: a Veja pratica o que seu chefe de redação chamou de “jornalismo de exceção”.

Isso quer dizer o seguinte: a revista não tem o menor compromisso com os fatos, com a verdade, com provas.

É contra o PT? Publique-se. Ah, mas a Justiça vai punir acusações não comprovadas, você, um cara de bem, vai dizer.

Lamento, mas respondo com uma gargalhada. Faz parte do sinistro ambiente jornalístico brasileiro uma absurda impunidade, na Justiça, para os crimes da imprensa.

Cerveró diz ter pensado que a Polícia Federal trabalhasse com evidências mais profundas que “reportagem de revista”.

Presumo que seja uma ilusão dele e de muitos brasileiros bem intencionados.

Com uma voz notavelmente fraca para quem projeta a imagem de super-heroi, Moro admite a importância da Veja na prisão de Cerveró. Acrescenta, obliquamente, que há mais que a reportagem da Veja para justificar, aspas, a prisão de Cerveró.

Mas não consegue dizer nada que faça sentido quando Cerveró lhe pergunta: “O quê?”

Cerveró conta que foi preso ao voltar da Europa, com a família, no final do ano. Disseram contra ele que não avisara que tinha passaporte espanhol.

E quem avisa? Quem sai dizendo: “Tenho passaporte espanhol!”?

É 100% Kafka.

Cerveró conta também que foram bloqueados espalhafatosamente dezenas de milhões em sua conta, mas no final havia nela apenas 100 000 reais.

A casa em que Cerveró estava morando também pesou contra ele. A razão é que Cerveró não é dono e nem estava pagando aluguel.

O vídeo não mostra a parte em que Cerveró dá sua explicação.

Mas ali está Moro dizendo a seguinte frase: “O senhor não acha estranho (não pagar aluguel)?”

Temos então o seguinte: Moro, sem nenhuma prova, e lá se vão cinco meses, acha estranho. E isso parece ser bastante para confinar alguém na prisão.

Sem argumentos para enfrentar as perguntas, Moro lembra, a certa altura, que quem está sendo interrogado é ele, Cerveró.

Alguém precisa deter Moro.

O que ele está promovendo, sob os aplausos criminosos e interesseiros da mídia, é um atentado contra o Estado de Direito.

Você, na estranha (o adjetivo usado por Moro vale para ele) concepção de justiça do juiz, é culpado até prova em contrário.

E é suspeito com base na, Deus do céu, Veja.

Onde o STF para frear os abusos de Moro? Onde o ministro da Justiça?

Quem indenizará Cerveró pelos meses de cadeia e assassinato de caráter caso – uma possibilidade real – fique claro que as acusações, como milhares de outras denúncias da Veja, são falsas?

Minha sugestão é o que dinheiro indenizatório saia do bolso de Moro, e ele que cobre a Veja.

do Diário do Centro do Mundo