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quinta-feira, 31 de julho de 2014

"Por que na Finlândia bebês dormem em caixas de papelão?"




Bebês de todas as classes sociais dormem em caixas de papelão na Finlândia. País que já foi pobre na década de 30 hoje é símbolo de igualdade e apresenta as ‘mães mais felizes do mundo’

Pragmatismo político - 05/Jun/2013 às 15:47


Há 75 anos, todas as mulheres grávidas na Finlândia recebem um kit de maternidade do governo. O kit inclui uma caixa com roupas, lençóis e brinquedos, e a ideia é que a própria caixa seja usada como cama durante os primeiros meses de vida do bebê.

Muitos acreditam que o kit ajudou a Finlândia a alcançar uma das mais baixas taxas de mortalidade infantil do mundo.

É uma tradição com origem na década de 1930, desenvolvida para dar a todas as crianças na Finlândia um começo de vida igual, independente da classe social.
O kit de maternidade é um presente do governo e está disponível para todas as gestantes.

bebê caixa papelão finlândia

Bebês de todas as classes sociais dormem em caixas de papelão na Finlândia. Todas as gestantes finlandesas tem a opção de receber um kit maternidade ou uma ajuda financeira. (Foto:Milla Kontkanen)
Ele contém macacões, um saco de dormir, roupas de inverno, produtos de banho para o bebê, assim como fraldas, roupas de cama e um pequeno colchão.

Com o colchão no fundo, a caixa torna-se a primeira cama do bebê. Muitas crianças, de todas as classes sociais, têm seus primeiros cochilos dentro da segurança das quatro paredes da caixa de papelão.
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Acompanhamento pré-natal para todos

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As mães podem escolher entre receber a caixa ou uma ajuda financeira, que atualmente é de 140 euros (R$ 390), mas 95% optam pela caixa, que vale muito mais.

A tradição começou em 1938, mas inicialmente o sistema só estava disponível para as famílias de baixa renda. Mas isso mudou em 1949.

“A nova lei diz que para receber o kit ou o dinheiro, as gestantes têm que visitar um médico ou uma clínica pré-natal municipal antes do quarto mês de gestação,” disse Heidi Liesivesi, que trabalha no Kela, o Instituto de Seguro Social da Finlândia.
Leia também
Na década de 1930, a Finlândia era um país pobre e a mortalidade infantil era alta ─ 65 em 1.000 bebês morriam. No entanto, os números melhoraram rapidamente nas décadas que se seguiram.
Mika Gissler, professora do Instituto Nacional para Saúde e Bem-Estar em Helsinque, acredita que o kit de maternidade e os cuidados pré-natal para todas as mulheres introduzidos na década de 1940, um sistema de seguro de saúde nacional e um sistema central da rede hospitalar na década de 1960 foram fundamentais para reverter essa situação.
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As mães mais felizes do mundo

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Aos 75 anos de idade, o kit é agora uma parte estabelecida do rito finlandês de passagem para a maternidade, unindo gerações de mulheres.

“É fácil saber em que ano os bebês nasceram, porque as roupas do kit mudam um pouco a cada ano. É bom comparar e pensar: ‘Ah, aquele menino nasceu no mesmo ano que o meu’”, diz Titta Vayrynen, de 35 anos, mãe de dois filhos pequenos.

Para algumas famílias, o conteúdo da caixa seria inviável se não fosse gratuito.

“Um relatório publicado recentemente dizia que as mães finlandesas são as mais felizes do mundo e na hora eu pensei na caixa. Somos muito bem cuidados pelo governo, mesmo agora que alguns serviços públicos sofreram pequenos cortes”, diz ela.

O conteúdo da caixa mudou muito ao longo dos anos, refletindo a mudança dos tempos.
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Símbolo de igualdade

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“Os bebês costumavam dormir na mesma cama que os pais e foi recomendado que esse costume acabasse”, disse Panu Pulma, professor de História Finlandesa e Nórdica da Universidade de Helsinque. “Incluir a caixa no kit serviu como um incentivo para os pais colocarem os bebês para dormir separados deles.”

Em um certo momento, mamadeiras e chupetas foram removidos para incentivar o aleitamento materno.

“Um dos principais objetivos de todo o sistema era fazer com que as mulheres amamentassem mais e funcionou”, diz Pulma.

Ele também acha que incluir livros infantis teve um efeito positivo, encorajando as crianças a segurar os livros e, um dia, lê-los.

Pulma acredita que a caixa é um símbolo da ideia de igualdade, e da importância das crianças.
 
BBC


Postado por celvio

quarta-feira, 30 de julho de 2014

CRIANÇAS QUE SONHAM de Carlos Pronzato

(para as crianças massacradas pelo exército israelense)
CRIANÇAS QUE SONHAM
de Carlos Pronzato

Há crianças dormidas
que sonham

quando voam as bombas
não acordam

Há céus de mil cores
e pássaros
há areias distantes
e oásis
embaixo dos cabelinhos
de petróleo
brilhante

Não escutam
nem olham
as noites terríveis
as luzes que os mísseis
explodem
nos prédios
nas pontes

Não sentem
o cheiro de pólvora
a chuva das cinzas
desabando na noite
no balanço
perfeito
da morte

Não sabem
que amanhã
não haverá mais
uma escola
uma casa
um pudim
colegas de rua
e os pais no jardim

Não sabem
que amanhã
já não vão acordar

Na aurora
esquecidos
sob um monte de pó
dormirão

Há crianças dormidas
que sonham
quando voam as bombas
não acordam.


Carlos Pronzato


Posted by Fernanda Tardin

Bolsonaro apoia terroristas de Israel


Por Altamiro Borges 

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), defensor histérico do golpe de 1964, da ditadura militar e das torturas no Brasil, enviou na sexta-feira (25) uma carta à embaixada de Israel. 

Nela expressa total apoio ao massacre promovido pelo exército sionista em Gaza – que já causou mais de 1.200 mortes, incluindo crianças, idosos e mulheres. 

Ele também aproveita para babar seu ódio contra a presidenta Dilma, acusando-a de subversiva, assaltante e outros adjetivos, e para atacar a nota do Itamaraty, que criticou o “uso desproporcional” de força contra os palestinos. 

E conclui pedindo “desculpas ao povo israelenses pela destrambelhada, inoportuna, hipócrita e covarde manifestação do governo brasileiro”. 

Na semana retrasada, em sessão na Câmara Federal, ele também defendeu aos berros o genocídio em Gaza durante discurso da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que não se intimidou e mandou o fascistóide calar a boca. 

Jair Bolsonaro já protagonizou vários casos de desacato ao decoro parlamentar, mas permanece impune. 

Para agradar seus eleitores hidrófobos, ele tem radicalizado cada vez mais as suas posições. 

No caso da matança em Gaza, até Organização das Nações Unidas (ONU) já condenou a ação desumana do exército de Israel. 

Mas o deputado gosta de sangue, torturas e mortes. Até hoje critica a ditadura brasileira por ter assassinado poucos democratas e patriotas. É um facínora!

Postado por Miro

13 denúncias falsas de uma só testemunha


(Edição: Pragmatismo Político)
"Sempre desconfie quando a denúncia tiver apenas uma testemunha. Confira 13 casos famosos que ganharam manchetes e holofotes, mas que nada foi comprovado


Vamos combinar o seguinte: denúncia baseada em uma testemunha oral, sem o reforço de provas, é farsa, até prova em contrário. Repito: é farsa, até prova em contrário utilizada usualmente pela imprensa, redes sociais e agora entrando na seara do Judiciário. Quem pratica farsa é farsante. E o ônus de provar que não é farsante é de quem recorre a esse tipo de denúncia.

Analisem-se alguns casos recentes:

1. As denúncias de propina no BNDES formuladas por um estelionatário recém-saído da prisão – condição escondida para valorizar ainda mais a farsa.

2. O Ministro Joaquim Barbosa – do Supremo Tribunal Federal(!) – invoca uma testemunha anônima para acusar o advogado que o afrontou no plenário de estar bêbado e ameaçar sua vida.

3. A polícia e o juiz carioca incriminam os manifestantes baseados no depoimento de uma única testemunha.

4. O ex-prefeito acusa aliados de Eduardo Campos de tentar suborná-lo sem apresentar uma única prova.

5. O Ministério Público Estadual de São Paulo acusa o ex-prefeito Gilberto Kassab. Não apenas a prova era uma testemunha em off como a própria entrevista foi em off.

6. As denúncias de que ex-esposa e filha de Aécio Neves transportavam contrabando de jóias.

7. O Ministério Público do Distrito Federal se vale de uma única testemunha anônima para afirmar que José Dirceu estaria falando pelo telefone com pessoas do Palácio do Planalto.

8. As denúncias do lobista contra Erenice Guerra, acusando-a de exigir dinheiro para a campanha de Dilma e narrando uma história sem pé nem cabeça sobre um jantar para o qual ele precisou até abrir mão de caneta, para evitar gravações. A justificativa para a falta de provas era mais ridícula que o fato em si.

9. A história do envelope com US$ 200 mil no Palácio do Planalto em reportagem da Veja.

10. A armação contra o ex-Ministro dos Esportes Orlando Silva por um ex-PM ficha suja.

11. A armação do grampo sem áudio da conversa entre o Ministro Gilmar Mendes e o ex-senador Demóstenes Torres (mais aqui).

12. A armação do suposto grampo no STF – a instituição máxima do direito prestando-se a uma farsa.

13. O corregedor do CNJ (Conselho Nacional da Justiça) invoca uma testemunha anônima para armar contra seu adversário no Superior Tribunal de Justiça, acusando-o de comprarpassagens de primeira classe para familiares.

É importante notar que os jornais – que deveriam ser os filtros para os abusos das redes sociais – praticam o mesmo tipo de expediente. Aliás, praticavam antes mesmo da chegada das redes sociais. E o próprio CNJ permitiu que seu corregedor se valesse dessas práticas infames.

Uma boa receita para analisar esses factoides é simples: esse tipo de denúncia é farsa. Quem recorre a esse tipo de denúncia é farsante. Até prova em contrário."



do Blog Brasil!Brasil!

"Lula endurece com o Santander e Merval não abre mão de ser feitor dos ricos"


Brasil 247 - 
Evidentemente que o banco estrangeiro está a fazer política e, não, como afirma o colunista Merval Pereira, que o governo e lideranças, a exemplo de Lula e Dilma, tentam impedir que ele expresse sua opinião sobre a situação econômica do País

DAVIS SENA FILHO  

Davis Sena FilhoO líder trabalhista Luiz Inácio Lula da Silva mandou o recado: "Botin, é o seguinte, querido: Eu tenho consciência de que não foi você que falou, mas essa moça tua que falou não entende porra nenhuma de Brasil e não entende nada de governo Dilma! Manter uma mulher dessa em um cargo de chefia? Pode mandar embora"!

A presidenta Dilma Rousseff afirmou: "A pessoa que escreveu a mensagem {do Santander} fez isso, sim, e isso é lamentável. Isso é inadmissível para qualquer candidato. Seja eu ou qualquer outro". 


A mandatária prometeu tomar providências, e a primeira ação, juntamente com o vice-presidente, Michel Temer, foi não participar do 3º Encontro Internacional de Reitores Universia, evento de educação milionário e "menina dos olhos" do presidente internacional do banco espanhol Santander, Emílio Botin.

Toda essa confusão se deve à intromissão indevida de uma executiva do Santander, que, equivocada e a se achar maior do que é, resolveu se envolver com o processo político e partidário brasileiro, um dos mais duros e competitivos do mundo, que atrai a atenção da comunidade internacional, porque se trata do destino do Brasil, a sétima maior economia do mundo, País que exerce inegável liderança na América Latina e no Caribe, um dos fundadores dos Brics, do Mercosul e da Unasul e possuidor de um mercado interno fortíssimo e diversificado, com uma população de 210 milhões de habitantes.

Além disso, o Brasil efetiva uma política externa independente e autônoma, de forma que interage com todos os países associados à ONU, o que não ocorre, por exemplo, com os Estados Unidos, país que tem uma cadeira cativa no Conselho de Segurança da organização multilateral. 


Contudo, empresários e banqueiros nacionais e internacionais são ousados e petulantes o bastante para considerar que são capazes de empreender ações políticas e ainda pensar que tais atitudes e condutas vão ficar sem respostas. Ledo engano.

Quando a executiva sem juízo e noção do Santander elaborou um texto de caráter mequetrefe e rastaquera cujo objetivo era "orientar" seus clientes bem de vida quanto aos riscos de empregar suas fortunas no mercado brasileiro por causa de uma vitória eleitoral de Dilma Rousseff e, portanto, do PT. Evidentemente que tal banco estrangeiro está a fazer política e, não, como afirma o colunista de O Globo, Merval Pereira, que o Governo e lideranças, a exemplo de Lula e de Dilma, impeçam que o Santander expresse sua opinião sobre a situação econômica do País.

Merval Pereira, na verdade, não fala por ele, pois age como um empregado fantoche dos irmãos Marinho, família bilionária de imprensa e de todas as mídias, que, sem sombra de dúvida, é a principal porta-voz dos interesses do sistema de capitais e uma das principais responsáveis por manter o status quo quase intacto no Brasil, País que foi o último a libertar os escravos e que ainda luta para diminuir as desigualdades sociais, que envergonham a grande maioria do povo brasileiro.

O feitor dos bilionários e do establishment ainda tem tempo para dar uma de "indignado" com as ações do Governo Trabalhista que, além de reagir às mentiras e à má-fé de uma executiva que quis ser mais realista do que o rei, ainda deixou claro que ia tomar providências. Sempre em defesa dos milionários, Merval concluiu suas palavras insensatas com esta pérola: "Numa democracia capitalista como a nossa, que ainda não é um capitalismo de Estado como o chinês — embora muitos dos que estão no governo sonhem com esse dia (hahaha! – este riso é por minha conta) —, acusar um banco ou uma financeira de terrorismo eleitoral, por fazerem uma ligação óbvia entre a reeleição da presidente Dilma e dificuldades na economia, é, isso sim, exercer uma pressão indevida sobre instituições privadas".

Merval Pereira não toma jeito. Seu desespero e sua mania de perseguição são tão incontroláveis que o escriba dos Marinho enxerga fantasmas em tudo. Seria cômico se não fosse hilário. Merval deveria largar seu emprego de contador de história para a direita e tentar pelo menos ser um comediante. Não é possível que um jornalista veterano, experiente e que tem intimidade com setores do poder, a exemplo de alguns juízes do STF, políticos ligados ao DEM e ao PSDB, além de empresários, não sabe ou não perceba por um pequeno momento que lideranças populares da grandeza política e social de Getúlio Vargas, João Goulart, Leonel Brizola e Lula sempre foram sistematicamente combatidos, bem como foram e são alvos de manipulações, mentiras e conspirações ardilosas que descambaram para o golpe militar e, consequentemente, redundaram em mortes e exílios de três desses atores proeminentes da história do Brasil.

Lula, o quarto homem público de formação trabalhista e o terceiro que conquistou eleitoralmente a Presidência da República é até hoje, mesmo fora do poder, o principal alvo de ataques da direita hidrofóbica deste País. 


A direita que luta, incessantemente, sem dar trégua e água, para que o Brasil não se torne totalmente independente e o povo brasileiro não conquiste sua emancipação definitiva como cidadão. 

O problema da direita no Brasil e no mundo é que ela é contra a democracia e, por seu turno, inimiga da cidadania. Este é o cerne do problema. O resto é perfumaria. Quem não compreende essa questão é porque não conhece a direita e muito menos a política. Ponto!

A democracia, quando consolidada, organiza a sociedade, que passa a tolerar e a administrar suas ambigüidades, contradições e antagonismos e, por sua vez, a leva a pensar, questionar e a cobrar soluções que permitam melhorar sua condição de vida. 


A democracia, por intermédio do acesso ao trabalho e ao estudo, bem como por meio da politização dos entes sociais, conscientiza a sociedade e, por conseguinte, a transforma em um corpo social e econômico capaz de dizer não àqueles que manipulam a verdade, deturpam a realidade e, evidentemente, aproveitam-se desse processo draconiano para obter benefícios e privilégios. Ponto!

Por isto e por causa disto pessoas como a executiva do Santander e seu presidente, Emílio Botin, e colunistas, a exemplo de Merval Pereira, tergiversam e manipulam os fatos e tentam modificar os acontecimentos como eles o são. 


A verdade é que essa gente luta para manter os privilégios de uma casta que controla os meios de produção e os financeiros. 

São os ricos que, no fundo de suas almas, odeiam a democracia e o desenvolvimento sócio-econômico das classes sociais populares.

Eles querem a primazia, pois se consideram de uma categoria social e humana superior ao restante da população. 


Merval Pereira e os empresários que são politicamente contra os mandatários trabalhistas sabem que a executiva do Santander fez política e teve a intenção de apagar o incêndio com gasolina. 

Todos sabem dessas intenções e compreendem, sobretudo, que vai ser muito difícil para a direita vencer as eleições de 5 de outubro.

O horário eleitoral está chegando e o PT e a candidata, Dilma Rousseff, com a participação de Lula, vão poder, enfim, responder às acusações, às denúncias, muitas delas vazias, e às inverdades sobre temas como infraestrutura, corrupção, inflação, juros, programas sociais, Olimpíadas e Copa do Mundo, saúde, educação, Petrobras, PT, "mensalão", que, para mim, é o mentirão, que encarcerou lideranças petistas sem provas enquanto outros escândalos perpetrados por outros partidos nem sequer chegam às barras da Justiça e às manchetes dos jornais e revistas.

O PT tem de endurecer com seus detratores, pois há 12 anos é alvo de uma campanha sem precedentes contra uma agremiação política, que não é revolucionária, mas apenas reformista. Uma pena. Enfim. 


Contudo, o Partido dos Trabalhadores, juntamente com o velho PTB de Getúlio, Jango e Brizola, é o partido mais importante da história deste País e o que mais sofreu, diuturnamente, ataques de uma imprensa direitista que se transformou em um partido poderoso em busca de eleger seus "correligionários" políticos e ideológicos. Sempre foi assim. 

Lula está correto quando questiona o Santander, enquanto Merval Pereira exerce o papel de capataz da Casa Grande. É isso aí.

do Blog do ContrapontoPIG

terça-feira, 29 de julho de 2014

O banco dos Brics colocou o Nordeste na geopolítica mundial, mas ninguém notou


Postado em 20 jul 2014
por : 

Emergentes em ação
Emergentes em ação
Num primeiro momento, os jornais brasileiros tentaram ignorar a criação do Banco dos Brics.
Depois tentaram transformá-lo num bric-a-brac – um brechó. Reduziram a quinquilharias o acordo multilateral reunindo o Brasil, a Russia, a China, a Índia e a África do Sul – que sozinhos poderão abrigar, nos próximos dez anos, segundo dados da revista Exame, 1,8 bilhão de consumidores com renda superior a três mil dólares anuais, entre os quais 200 milhões com ganhos acima de 15 mil dólares.
Perderam uma excelente chance de falar mal da presidente Dilma com argumentos mais qualificados. 

Poderiam dizer, por exemplo, que esse dinheiro seria melhor empregado reduzindo a dívida pública e, portanto, a taxa de juros. Que ele poderia financiar projetos de infraestrutura de que o país tanto necessita. Que poderia pagar salários capazes de fazer os doutores dos Jardins de São Paulo e da Zona Sul carioca trocarem seus consultórios milionários por postos de saúde no Capão Redondo e na Baixada Fluminense.
Mas não, preferiram insinuar que o banco, com capital inicial de 100 bilhões de dólares divididos em partes iguais entre os cinco sócios, será dirigido pela Índia, a sede será na China e o Brasil só ficou com a presidência do conselho de administração.
Os cargos são rotativos…
Todo esse desdém acabou omitindo a cidade que sediou a fundação do banco, poucos dias após sediar alguns dos melhores momentos da Copa e a melhor exibição da seleção brasileira, contra a Colômbia.
Fortaleza!
A Declaração de Fortaleza, da VI Reunião de Cúpula dos Brics, começa assim:
“Nós, os líderes da República Federativa do Brasil, da Federação Russa, da República da Índia, da República Popular da China e da República da África do Sul, reunimo-nos em Fortaleza, Brasil, em 15 de julho de 2014 na VI Cúpula do BRICS.”
A notícia mais surpreendente que a nossa imprensa não deu não foi a fundação, a conveniência, a necessidade ou a importância do banco, uma espécie de BNDES+FMI intercontinental dos emergentes.
Tudo isso eles viram, mas calaram.
O que ninguém quis ver é que a criação do Novo Banco de Desenvolvimento colocou o nordeste brasileiro na geopolítica mundial, enquanto São Paulo seca.
A declaração de Fortaleza faz críticas às promessas não cumpridas de mudanças no FMI, do qual os Brics também são sócios. A presidente do FMI Christiane Lagarde, no entanto, saudou a criação do Novo Banco.
Depois de assistir a final da Copa entre Alemanha e Argentina no Maracanã, o presidente russo Vladimir Putin seguiu para a Cúpula de Fortaleza. De lá, voou de volta para Moscou.
No caminho o avião de Putin cruzou, perto de Varsóvia, com um atraso de 37 minutos, a rota do Boeing da Malaysian Airlines que pode ter sido abatido por um míssil sobre a Ucrânia.
De acordo com o Guardian, assim que desembarcou em Moscou, proveniente da reunião dos brics no Brasil, Putin ligou imediatamente para informar Obama sobre o incidente.
Como na criação do banco dos Brics, não faltaram especulações: o avião visado no atentado seria o de Putin, não o malaio. Ainda que Varsóvia seja a capital da Polônia e esteja muito longe do leste da Ucrânia, onde o Boeing da Malaysian caiu.
Se quisermos continuar especulando, Fortaleza poderia entrar para a geopolítica mundial não como Sarajevo – onde o assassinato do príncipe Ferdinando teria provocado a primeira guerra mundial – mas como ponto de partida da terceira.
Como nada disso aconteceu, o Ceará estreou muito bem na geopolítica mundial. E chega de especulações.
FONTE: DIÁRIO CENTRO DO MUNDO

Candidato à presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, que possui uma fazenda a apenas 6 km do aeroporto

O mistério do aeroporto de Cláudio


A pergunta que corre o país também é feita dentro da cidade onde se iniciou a polêmica: por que 14 milhões para um aeroporto em um município com 25 mil habitantes?
Por Vinicius Gomes, de Cláudio (MG)
“Com quem tá a chave?”
“Não sei quem tem. Devia tá na prefeitura, né?”
“Não sei. Só sei que nunca na vida vi esse negócio de aeroporto trancado, só em Cláudio mesmo”.
Debaixo de uma garoa fria à beira da estrada MG-260, a conversa que acontecia em frente ao portão trancado do aeroporto de Cláudio (MG), a 180 km de Belo Horizonte, se mostra um perfeito exemplo do imbróglio que envolve um investimento de quase 14 milhões de reais no aeroporto em uma cidade com apenas 25 mil habitantes. Um episódio que ainda carece de explicações, envolvendo a desapropriação, uma disputa judicial sobre o terreno em que a pista foi construída e sua suposta utilização para fins privados, questões só parcialmente respondidas pelo candidato à presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, que possui uma fazenda a apenas 6 km do aeroporto, local que ele mesmo já denominou como o seu “Palácio de Versalhes”.
A entrada com os portões trancados do aeroporto de Cláudio (Vinicius Gomes)
A entrada com os portões trancados do aeroporto de Cláudio (Vinicius Gomes)
Em 20 de julho, a edição dominical do jornal Folha de S. Paulo trazia em sua primeira página a manchete: Minas fez aeroporto em fazenda de tio de Aécio. Na matéria, lia-se que o governo do estado havia desembolsado R$ 13,9 milhões para construir o aeroporto de Cláudio dentro da fazenda de Múcio Guimarães Tolentino, tio-avô de Aécio Neves, na época governador e que a autorização de uso e as chaves de seu portão estavam sob controle dos filhos de Tolentino, primos do presidenciável tucano.
Essa cidade interiorana no coração de Minas Gerais agora promete figurar entre os nomes mais falados nesse segundo semestre, durante a corrida presidencial de 2014, e já dá dor de cabeça ao tucanato nas redes sociais, onde os índices negativos para a candidatura de Aécio chegaram a 85% nesta semana.
Cui bono com Cláudio?
Antes de ganhar notoriedade nacional, a pacata cidade de Cláudio já era “famosa” na região por ser a cidade dos apelidos. Praticamente todos os seus habitantes possuem algum. O prefeito José Rodrigues Barroso de Araújo (PRTB-MG), por exemplo, na falta de um, tem três: Zezinho do Zé do Juquinha. É esse clima de camaradagem e proximidade que existe na cidade na qual idosos e taxistas se reúnem atrás da igreja da praça para jogar truco, comerciantes sem troco dizem para clientes forasteiros voltarem no dia seguinte para pagar o almoço e onde praticamente todos se conhecem por seus… apelidos.
Localização da cidade de Cláudio, no centro-oeste de Minas Gerais (Wikipedia)
Localização da cidade de Cláudio, no centro-oeste de Minas Gerais (Wikipedia)
Mas o taxista Carlos*, como morou muito tempo fora da cidade, acabou não sendo brindado com a característica local de alcunhar seus filhos. No entanto, se ele é uma exceção a essa regra, não foge a uma concordância quase generalizada da cidade de que 14 milhões de reais (15, se for contar o valor previsto para a desapropriação do terreno) foi muito dinheiro gasto em um aeroporto que nem é aberto ao público, dentro de uma cidade que possui tantas carências mais emergenciais.
“Nunca levei nem busquei ninguém lá no aeroporto, você é o primeiro”, afirma Carlos. “A cidade com tanta necessidade de saúde e educação e os políticos dão essa ‘dinheirança’ ali [no aeroporto]. Quando alguém tem alguma emergência médica, é preciso ir para Divinópolis ou até Belo Horizonte.” João*, parente de um membro da administração municipal, também não entende por que precisam do aeroporto e, mesmo se precisassem, por que ele fica fechado? “Bom, quando eu tiver meu avião, se Deus quiser, eu vou querer uma cópia da chave para mim também”, brinca ele. ”Mas se for emergência, dá pra ir na prefeitura pedir a chave sim”, completa João. A reportagem de Fórum seguiu para a prefeitura da cidade para questionar a respeito das chaves do portão – apesar de ser um sábado -, mas não encontrou nem ao menos um segurança para a eventualidade de o repórter necessitar do aeroporto de maneira emergencial.
No mesmo dia da publicação da matéria da Folha, a assessoria de Aécio Neves prontamente emitiu uma longa nota apontando inúmeros “equívocos” do texto e acusando o artigo de querer passar um fato que não corresponderia à realidade. Em uma das passagens, a nota defendia a escolha de Cláudio para ser uma das cidades beneficiadas com o Programa Aeroportuário de Minas Gerais (o ProAero), em 2003, que tinha como objetivo fortalecer a infraestrutura dos aeroportos públicos do estado, seja em sua construção ou em seu melhoramento, sendo estes classificados como “regional” ou “local”.
O aeroporto de Cláudio pertenceria à última e foi escolhida por ser “um próspero município, conhecido por seu grande pólo de fundições e metalúrgica, considerado um dos maiores do Brasil e da América Latina”. Entretanto, segundo o deputo Pompilio Canavez (PT-MG), a cidade não é um pólo siderúrgico, existem ali 300 empresas de fundição que fabricam panelas, tampas de bueiro, portões de ferro, etc. “Nenhuma delas tem importância significativa regional que justifique um aeroporto e, mesmo que tivesse, o aeroporto tem cadeado e ninguém o usa”, diz. O deputado também mencionou o fato de que, se fosse o caso de impulsionar a economia local, o investimento não seria necessário, uma vez que a cidade vizinha de Divinópolis (30 minutos de distância), que possui uma população oito vezes maior, tem um parque industrial muito superior ao de Cláudio e já possui um aeroporto operacional que tem, inclusive, condições de receber aviões de grande porte.
Outro trecho da “defesa” do investimento em Cláudio, segundo a nota da assessoria de Aécio Neves, era de que “não se trata também de construção de um novo aeroporto, mas de melhorias realizadas em pista de pouso que existia há mais de 20 anos no local [...] o que tornaria a obra muito mais barata”. 
tabela proaeroNão entrando no mérito de entender como pode ser mais barato usar 14 milhões de reais para asfaltar uma pista de pouso de 1 km, tal afirmação contradiz uma tabela oficial do ProAero, onde Cláudio entra na categoria de “Novo Aeroporto”.
Então, como diriam os italianos, cui bono (quem ganha?) com a construção de um aeroporto em Cláudio?
* Nomes alterados a pedido dos entrevistados


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