O ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, fala sobre a Lei de Acesso à Informação, um dos métodos de tentativa de transparência do governo
O Roda Viva entrevistou na segunda-feira (11/6), o ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, que falou sobre a Lei de Acesso à Informação, que foi sancionada no fim do ano passado, com o objetivo de garantir aos cidadãos brasileiros acesso aos dados oficiais do Governo.
Transparência dos salários dos agentes públicos, desde o mais modesto até mesmo da presidente Dilma Rousseff, essa é a garantia do ministro.
Segundo ele, no final do mês de junho os dados já estarão disponíveis para consulta no portal: http://www.acessoainformacao.gov.br.
O ministro já revela números:
"Acredito que a Lei de Acesso já pegou. São 9 mil pedidos, sendo mais de 60% respondidos, em menos de um mês." Hage faz questão de dizer que é a favor da transparência total no serviço público para evitar prevaricação. “Não há vacina melhor contra a corrupção do que a visibilidade total”. E para provar o que diz, o ministro levou o seu holerite para comprovar a sua remuneração.
“Ganho pouco mais de R$ 4 mil para ser ministro”.
No comprovante, o total líquido é de R$ 4.091. Mas ele completa que essa não a sua única renda e que recebe uma aposentadoria de magistrado no total de R$ 22 mil. “Graças a Deus, trabalhei a vida toda para isso”, explica-se.
A Lei de Acesso à Informação é um dos meios encontrados pelo Governo para limpar a imagem do poder público perante a população. Escândalos e valores incontáveis desviados por corruptos têm manchado a política nacional.
"Corrupção no Brasil existe há 500 anos", exclama Hage durante a entrevista. Porém, ele vê melhoras.
“A grande diferença de hoje é a intensificação da investigação e divulgação da descoberta”. Hage ainda compara a corrupção revelada como um esgoto destampado.
O juiz aposentado considera a lei de punição para crimes do tipo muito fraca, deixando muitos impunes. "Para que o combate à corrupção seja mais concreto é preciso aumentar a probabilidade de punição”.
Segundo o ministro, também é preciso um sistema judicial mais ágil.
Hage afirma ter deixado a atividade parlamentar por causa dos financiamentos públicos e privados, fatores que precisam ser corrigidos.
“O ponto crucial é corrigir o financiamento de campanhas. Considero esse o capítulo principal do que se deve fazer”. Segundo o ministro, vetando o financiamento privado, haverá uma modificação da posição partidária, sem interesses empresariais inclusos.
Apresentado pelo jornalista Mario Sergio Conti, o Roda Viva contou, nesta edição, com os seguintes entrevistadores convidados: Alexa Salomão (editora de economia da revista Exame); Delmo Moreira (redator-chefe da revista IstoÉ); Maurício Cardoso (diretor executivo do site Consultor Jurídico); Eduardo Kattah (editor assistente da editoria nacional de O Estado de S.Paulo); Fernando Rodrigues (colunista e repórter do jornal Folha de S. Paulo em Brasília).
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