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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Novo na política seria aumentar o imposto dos ricos



Novo mesmo, na política nacional, seria alguém falar, como o Nobel de Economia, Robert Schiller, em aumentar o imposto dos ricos.

Paulo NogueiraCarta Maior

No mundo inteiro se consolida a ideia de que o maior desafio para os próximos anos, em escala planetária, é o combate àdesigualdade social.

Nos últimos 30 anos, sob o impulso de Reagan num lado do Atlântico e Thatcher no outro, o chamado “1%”, para usar a expressão consagrada pelo movimento Ocupe Wall St, foi objeto de um favorecimento amplo, abjeto e descarado.


Os protestos que se espalharam globo afora nos últimos anos foram um potente, severo, claro sinal de que os “99%” chegaram ao limite da paciência. Não há iniquidade que possa perdurar indefinidamente sem choques sociais ao fim dos quais – para lembrarmos um caso exemplar, o da França de 1789 – cabeças privilegiadas podem terminar de olhos esbugalhados num cesto.


Nobel da Economia de 2013, Robert Schiller, falou disso recentemente. Schiller disse temer pela escalada mundial da desigualdade no futuro, e afirmou esperar que os governos ajam quanto antes para evitar isso. Basicamente, aumentando o imposto dos ricos. “Não para que os ricos não fiquem ricos”, disse ele, “mas para que as coisas não se tornem malucas demais.”

Bem, enquanto isso, no Brasil, onde este tema – o da desigualdade – deveria estar no topo do topo da agenda nacional, dada a magnitude da iniquidade nacional, os pretensos candidatos à presidência em 2014 passam ao largo do debate como se vivessem na Escandinávia.

É desanimador, visto que falar, falar e ainda falar no horror da desigualdade é vital para que se firme um consenso na sociedade de que é preciso dar um basta – e rápido – a ela.

Recentemente, Serra listou num artigo oito desafios para o futuro presidente, ou presidenta. E conseguiu não incluir a desigualdade entre eles. Vê-se, por aí, a formidável desconexão entre Serra – e o PSSB – e a realidade como ela é.

Considere agora Marina. Quantas vezes, desde que foi anunciada a aliança com Eduardo Campos, ela usou o jogo de palavra “programático e pragmático” – algo que, a rigor, não significa nada? E na questão da iniquidade, quanto ela tocou? E em aumentar o imposto dos ricos?

Não adianta falar em “nova política”, como Marina vem fazendo, à base de embalagens e frases feitas – mas sem conteúdo, sem ideias que façam pensar.

Recentemente, passou pelo Brasil um ex-prefeito inovador de Bogotá, Enrique Peñalosa. Você ouve Peñalosa e diz: “Esse cara tem ideias”. No campo da mobilidade urbana, por exemplo, Peñalosa tem a seguinte definição: “Um ônibus com 100 pessoas que passe por um carro engarrafado é democracia.” Um conceito simples como este pode promover uma revolução em mobilidade urbana – o que de fato aconteceu sob Peñalosa em Bogotá.

O novo não é novo porque alguém diz que é novo. Não basta falar. O novo é novo porque, no campo das coisas concretas, rompe com o velho.

Os protestos de junho mostraram que os brasileiros querem algo novo na política, capaz de transformar o Brasil numa sociedade justa em regime de urgência.

Houve avanços nos últimos dez anos, sob o PT? Claro. Mas a baixa velocidade desses avanços  está dramaticamente exposta em coisas como o tratamento dispensado aos índios, a forma como casas de pobres foram removidas para obras da Copa e o desaparecimento de tantos Amarildos.

Novo mesmo, na política nacional, seria alguém falar, como o Nobel Schiller, em aumentar o imposto dos ricos – tanto mais num país em que a Globo é flagrada numa sonegação documentada e bilionária, relativa à compra dos direitos da Copa de 2002, e nada acontece.

Enquanto alguém não disser isso, teremos a velha política, e com ela velhos privilégios – mesmo que os candidatos a chamem, numa jogada de marketing, de nova política.”

(*) Paulo Nogueira é editor do site Diário do Centro do Mundo.

do Blog Brasil!Brasil!

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